Esta história eu acho o máximo. Simplesmente marcou minha vida por uns 10 anos, sem brincadeira. Talvez você leia e diga "Tá, e daí?", mas pelo menos é bem diferente.
Vários anos atrás morava no meu prédio um amigão do meu pai, o Newton. Ele, desde que me lembro, sempre teve dois carros, um Corsa e um fusca. O Corsa, logicamente, ia pra garagem, enquanto o fusca velho ficava no estacionamento em frente ao prédio sempre no mesmo lugar: com uma roda em cima da rampa para deficientes subirem na calçada.
Além da óbvia mancada de bloquear a rampa, havia outro grande problema com o fusca vermelho: ele nunca era usado. Newton dificilmente era visto perto do carro, a não ser quando ia checar se ainda não tinha sido arrombado ou riscado (ah, como se alguém quisesse arrombar um fusca velhaço sem nada dentro.).
Pois bem, um dia Newton foi pra Goiânia com sua esposa. Ele já tinha vendido o Corsa e andava de Palio, as coisas mudam. O único porém foi que ele deixou o fusca aqui.
Isso aconteceu quando eu tinha uns 6/7 anos. Imagine a que alturas vai a imaginação dessa criança, criada à base de Pokémon e desenhos do Cartoon, quando vê um carro velho abandonado logo em frente ao prédio que mora. Eu realmente tinha medo do fusca, achava que fantasmas usavam o carro pra dar um rolê de madrugada e depois o largavam la de novo. Achava que tinha zumbis lá dentro, que criminosos usavam como depósito de corpos. Achava que o fusca era vivo e se recusara a ir com o dono para Goiânia, resolvendo ficar na vaga de sempre, com a roda em cima da rampa.
Dá pra imaginar que eu nunca nem chegava perto do carro, com medo que uma mão saísse do parabrisa e me puxasse lá pra dentro pra sempre.
E assim foi, todos esperando que um guincho chegasse e levasse o tal fusca, até porque era uma vaga desperdiçada, algo que fazia falta quando se chegava tarde da noite. Nada, porém, foi feito por vários anos. O fusca acabou virando parte da paisagem e até ponto de referência. "-Estou aqui no estacionamento! -Mas em que parte do estacionamento? -Do lado de um fusca caindo as pedaços. - Ah, beleza. Estou descendo."
Acho que não preciso dizer que o carro, tantos anos exposto a chuvas, sol escaldante, tentativa de roubos e idiotas que metem a cabeça no capô, ele foi ficando acabado. Aliás, acabado nem é a palavra certa. Ele ficou destruído, mesmo. A pintura vermelho-vinho ficou completamente lascada e desbotada, mal lembrando a cor original. Todos os pneus estavam carecas, faltando tiras e, desnecessário dizer, completamente murchos. As portas estavam amarradas com fios, duas janelas cobertas com papelão, a parte interna totalmente corroída por fungos e calor. O amassado no capô causado por uma cabeça em alta velocidade, feito antes mesmo de Newton ir embora, ainda estava lá.
Ele acabou virando um ícone do prédio, tão importante para o cenário quanto o pinheiro, o chafariz e as frôris no jardim. Em reuniões de condomínio já tinha virado uma piada recorrente dizer que "o fusca vai criar vida e ir embora sozinho". É, eles não têm muito o que discutir nessas reuniões, talvez o motivo para a obra no jardim ter começado no fim de 2007 e até hoje estar incompleta e congelada. Ops, desviei o assunto.
Enfim, um dia, no meio do ano passado, a rampa do estacionamento estava desobstruída, só com uma marca de pneu em cima. A vaga estava vazia. Nem sinal do amassado, das janelas quebradas, dos fungos, dos zumbis. Um guincho veio e roubou o fusquinha de nosso estacionamento. Logo a decoração mais conhecida entre os moradores, aquela que certamente deixaria um vazio se sumisse. E sumiu.
Pode parecer estranho todo esse sentimentalismo, afinal, era só um carro velho ocupando espaço que foi levado embora. O fato é que isso ocorreu em um período de mudanças, algo que realmente me afetou. Muitas pessoas que eu conhecia sumiram, muitos hábitos foram descartados, meu Super Nintendo quebrou, coisas se alteraram. Quase todo o vínculo restante que eu tinha com a infância estava perdido, todas aquelas coisas que eu via quando ainda era inocente estavam mudando. O sumiço do fusca foi algo inesperado, então me afetou de uma maneira diferente.
Ainda prefiro achar que os fantasmas resolveram viajar por aí com os fungos e logo vão voltar. Aquele carro, onde já me escondi para fugir de cachorros loucos, me apoiei pra aprender a andar de bicicleta, tirei fotos em cima dele só pra zoar, que foi arrombado incontáveis vezes mas os ladrões não acharam nada que prestasse.
Bem, foi divertido.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
domingo, 22 de fevereiro de 2009
O dia que desisti de patinetes
Tenho dois patinetes, mas não ando em nenhum desde os 10 anos. Muitos acham um desperdício de dinheiro, comprou pra quê, vai fazer exercício seu nerd de merda, e tal. O problema é que, mesmo quando a coisa não é perigosa e parece divertida, oferece riscos à minha vida.
Entre meu prédio e um estacionamento tem uma calçada que desce um tipo de ladeira. A inclinação nem é tão grande, mas ela tem uns 100, 150 metros de comprimento. Dá pra conseguir uma ótima velocidade se você for sem parar, o que é um convite a crianças sem noção.
Logo que ganhei meu primeiro patinete fui correndo descer a famosa ladeira, pronto pra voar. Até que foi simples: um pequeno impulso inicial, os dois pés em cima do patinete e o barulho do vento. Eu imaginava que era uma montanha-russa em uma descida brusca, um ônibus espacial indo pra lua, um robô voando para o combate. Enfim, era um garoto de nove anos bem normal.
Os meses foram passando e deixei o patinete meio de lado. Quando estava viajando em dezembro, subitamente fui atacado por uma vontade louca de correr por aquela descida de novo. No dia seguinte à minha chegada fui direto andar sobre o frágil veículo de alumínio... pela última vez. Cheguei no topo da calçada e desci com tudo.
Pára tudo. Enquanto eu viajava, o síndico do bloco se encheu de tantas motos andando por aquela calçada e colocou pares de tubos de concreto em alguns pontos do caminho, um em cada lado. OK, podemos voltar.
Eu estava a toda quando vi, de repente, um cilindro de concreto pular na minha frente. Joguei o guidão pro lado, mas mesmo assim atingi o obstáculo de lado e voei na direção do estacionamento. Ainda bem que o fusca fantasma (depois falo dele =D) estava no meu caminho e amorteceu a pancada. Minha cara e metade do meu peito atingiram o capô do fusca com delicadeza, enquanto minhas pernas perdiam pedaços ralando no chão. Pegue uma placa de metal e bata nela com um taco de baseball: é mais ou menos esse o som que o impacto produziu, mas não com um taco, e sim com os meus dentes e nariz.
Juro que devo ter desmaiado uns cinco minutos, até o porteiro resolver checar a origam do barulho e me achar todo ensanguentado no chão. Pais chamados, momento de histeria, hospital. Quebrei de novo um dente que já tinha quebrado, torci a perna direita, fiquei com as pernas meio destruídas, sofri algumas escoriações na cara. Tranquilo.
Uma coisa que merece destaque é que o dono do fusca ainda quis que meus pais pagassem a oficina pra consertar o capô do veículo, com um tremendo amassado por causa da pancada. Vá te catar, Newton.
Até hoje estou com o patinete dobrado debaixo da prateleira.
"Ué, Lucas, você não disse que tem dois patinetes?" É, disse. Tem o meu irmão, que pode se quebrar todo, ir pro hospital ou ficar de castigo que não vai parar de se divertir. Pense no total oposto da minha mente.
Entre meu prédio e um estacionamento tem uma calçada que desce um tipo de ladeira. A inclinação nem é tão grande, mas ela tem uns 100, 150 metros de comprimento. Dá pra conseguir uma ótima velocidade se você for sem parar, o que é um convite a crianças sem noção.
Logo que ganhei meu primeiro patinete fui correndo descer a famosa ladeira, pronto pra voar. Até que foi simples: um pequeno impulso inicial, os dois pés em cima do patinete e o barulho do vento. Eu imaginava que era uma montanha-russa em uma descida brusca, um ônibus espacial indo pra lua, um robô voando para o combate. Enfim, era um garoto de nove anos bem normal.
Os meses foram passando e deixei o patinete meio de lado. Quando estava viajando em dezembro, subitamente fui atacado por uma vontade louca de correr por aquela descida de novo. No dia seguinte à minha chegada fui direto andar sobre o frágil veículo de alumínio... pela última vez. Cheguei no topo da calçada e desci com tudo.
Pára tudo. Enquanto eu viajava, o síndico do bloco se encheu de tantas motos andando por aquela calçada e colocou pares de tubos de concreto em alguns pontos do caminho, um em cada lado. OK, podemos voltar.
Eu estava a toda quando vi, de repente, um cilindro de concreto pular na minha frente. Joguei o guidão pro lado, mas mesmo assim atingi o obstáculo de lado e voei na direção do estacionamento. Ainda bem que o fusca fantasma (depois falo dele =D) estava no meu caminho e amorteceu a pancada. Minha cara e metade do meu peito atingiram o capô do fusca com delicadeza, enquanto minhas pernas perdiam pedaços ralando no chão. Pegue uma placa de metal e bata nela com um taco de baseball: é mais ou menos esse o som que o impacto produziu, mas não com um taco, e sim com os meus dentes e nariz.
Juro que devo ter desmaiado uns cinco minutos, até o porteiro resolver checar a origam do barulho e me achar todo ensanguentado no chão. Pais chamados, momento de histeria, hospital. Quebrei de novo um dente que já tinha quebrado, torci a perna direita, fiquei com as pernas meio destruídas, sofri algumas escoriações na cara. Tranquilo.
Uma coisa que merece destaque é que o dono do fusca ainda quis que meus pais pagassem a oficina pra consertar o capô do veículo, com um tremendo amassado por causa da pancada. Vá te catar, Newton.
Até hoje estou com o patinete dobrado debaixo da prateleira.
"Ué, Lucas, você não disse que tem dois patinetes?" É, disse. Tem o meu irmão, que pode se quebrar todo, ir pro hospital ou ficar de castigo que não vai parar de se divertir. Pense no total oposto da minha mente.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
128MB de memória, ou menos...
oie. Voltei com um post normal. Podem agradecer.
O post de hoje não é sobre informática, relaxem. A memória do título não é exatamente do computador, e sim a minha. Boa parte das pessoas sabe que, atualmente, 128MB de memória, m um computador, é uma quantidade ridícula que não serve nem pra usar o Word e entrar na Internet ao mesmo tempo. O que isso tem a ver comigo? Ah, bem...
Esta semana estive comentando com uns amigos sobre minha excepcional e infalível memória, e percebi que isso renderia um bom texto.
Comecemos: Dizem que nós, gênios, somos esquecidos e modestos. A primeira característica, no meu caso, se destaca muito mais que nos outros, infelizmente. Já me acostumei a viver 24h por dia com aquela sensação de "estou esquecendo alguma coisa", porque normalmente estou mesmo. E não pensem que isso é distração de adolescente, estresse de colégio, falta de tempo, nada disso. Isso vem desde os primórdios, mey. Veja só:
Luquinhas, com 6 anos, se preparando pra ir para a natação (esporte que odiava, odeia e sempre irá odiar, mas foi forçado a fazer por 14 anos). Roupão, ok. Touca, ok. Mochila pra pôr a roupa, ok. E ele vai. Sentado no banco do transporte, olha pra baixo e percebe que esqueceu de um detalhe, que talvez você tenha percebido. Aquela vestimenta de algodão branco com um desenho do Digimon definitivamente não parece uma sunga. Após uma inspeção mais detalhada, vê que de fato a peça de roupa é o que chamam de "cueca". O que fazer? Luquinhas, morrendo de vergonha, chega à academia e explica a situação pro professor, que ri e o deixa ficar sentado num banco esperando acabar a aula. Pelo menos estava passando Pokémon na TV.
Esse deve ser o caso de esquecimento mais antigo que consigo lembrar, mas provavelmente meus pais saibam de alguns ainda mais primitivos. Ainda bem que não lembro de tudo, pra falar a verdade, ou provavelmente seria ainda mais paranóico atualmente. Ou talvez fosse até melhor ser.
Luquinhas, agora com 8 anos, acaba de ter seu apartamento reformado, e uma das novidades é que agora seu quarto tem uma fechadura. Seus pais, aparentemente drogados, acham que o filho já é responsável o suficiente para poder ficar com a tal chave. Por que isso aconteceu, realmente nunca poderei explicar. O fato é que Luquinhas, logo na primeira noite com a chave, resolve se trancar para dormir, pois o dia seguinte seria um sábado e ele não queria ser acordado. Ele ainda assiste um pouco de desenho na TV e em seguida dorme.
Sábado, 9 horas da manhã. Nosso personagem principal acorda e puxa a maçaneta. Nada. Lembra que a porta está trancada e vai pegar a chave. Mas pegar aonde? Essa pergunta pergunta divide sua mente com "Nossa, o Ash pegou um Squirtle ontem de noite!", até Luquinhas perceber a gravidade da situação: ele está trancado no próprio quarto, uma representação de muito mal gosto daqueles joguinhos japoneses que você tem que arranjar um jeito de fugir de uma sala. Eu, particulamente, nunca consegui vencer nenhum desses jogos, então imagina na vida real. Pelo menos de fome não morreria, ainda tinha a lembrancinha de uma festa na escola, mas seu quarto não é uma suíte, e para chegar ao banheiro teria que derrubar a parede atrás do armário. Muito plausível para um moleque raquítico de 8 anos. Logo, sua última solução é o clássico "MAMÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃE! SOCORROOOOOOOOOO!", que traz resultados em segundos. Usando seus superpoderes de mãe, Carla logo se materializa em frente à porta trancada e avalia a situação.
A confusão chega a um novo nível. Como qualquer mulher em sã consciência que vê seu filho preso em um quarto morrendo de medo, começa a gritar com ele "CADÊ A CHAVE? ONDE VOCÊ PÔS?" calmamente desesperada, como se isso fosse adiantar algo. O pai do garoto acorda assustado e, com seu intelecto masculino superior, logo corre para o chaveiro no comércio da quadra.
Resumo da história: Luquinhas fica duas horas preso no próprio quarto, os pais gastam alguns dinheiros pra fazer uma cópia da fechadura, arrancá-la da porta recém-comprada e chamar um marceneiro pra consertar o estrago. Luquinhas, hoje com 16 anos, emo e com um blog depressivo, ainda não pode ficar com a chave do quarto.
Yay. Legal lembrar que o meu irmão hoje tem 8 anos e já tem até chave de casa pra emergências. Moleque maldito, sabe o nome, tipo, peso e altura de todos os 500 e tantos Pokémon mas não sabe se um tatu é réptil ou peixe. Vai ser nerd assim em cima de uma árvore.
O post está ficando bem grande, mas e daí? Não estou com muita vontade de parar.
Dois dias depois do incidente anterior, Luquinhas ainda tinha a chave das gavetas de sua escrivaninha. Cansado de perder o controle remoto de sua TV, resolve guardá-lo em uma gaveta e trancá-la para que não mais o perdesse. Controle de TV tinha que ser que nem telefone sem fio, se você perder é só apertar um botão na base que ele apita onde quer que esteja, seja no banheiro, debaixo da cama ou no quarto da empregada que aumenta a conta em 200 reais só de ligação pro Piauí.
Pois é, o garoto coloca o controle na gaveta de material da escola e a tranca. Ele não vê TV naquele dia, mas a noite chega e o dia seguinte será uma terça. Ele vai abrir a gaveta de material escolar pra pegar lápis de cor... e ela não abre. Após tirar da cabeça o pensamento de ela estar sendo segurada por um fantasma brincalhão, ele lembra da chave. Só lembra, porque achar mesmo, ele não acha. Cortando um pedaço da história (que envolvia a mãe dando uma bronca lendária no garoto e proibindo-o de usar o computador por um mês [e claro que ele o usou todos os dias que deu vontade], o pai dando um chilique pior ainda e proibindo-o de ver TV [que ele assistiu todos os dias que deu vontade], mais um chaveiro chamado no dia seguinte, um recado na agenda mandado pela professora dizendo que ele estava sem lápis de cor, etc etc etc), chegamos ao improvável desfecho: hoje, Luquinhas tem 16 anos, é emo, gostoso, tem um blog depressivo e não tem mais fechaduras no móvel do quarto, muito menos nos armários.
Outra coisa foi quando fui pagar algo que precisava levar o contrato de serviço, faz uns dois anos. Estava na porta de casa, lembrei que estava sem o contrato. Quase no elevador, voltei pra pegar o celular. Quase pisando fora de casa, agasalho. Chegando à loja (no comércio da quadra), tinha esquecido apenas o dinheiro.
Ah, e esses dias esqueci o celular na academia e ele evaporou. Era um Nokia 2610 de 2004, que tinha custado 90 reais. Tela totalmente arranhada, teclado com algumas teclas soltas, sem câmera, caía em ligações muito frequentemente e era bloqueado com um chip pré-pago da Vivo que vivia sem crédito. Imagino o tipo de pessoa que roubaria um celular desses. Engraçado que eu tinha escolhido um bem vagabundo especificamente porque sabia que um dia, inevitalmente, iria perder o maldito. Por isso nem me arrisco a comprar um iPhone ou qualquer modelo mais caro que 200 reais. (Ah, já tentei ligar infinitas vezes para o número, mas ele está sempre fora de área. Devem ter sido alienígenas)
Baseado nesses casos, tente calcular quantas vezes fui a festas de aniversário sem presente, cinema sem carteira de estudante, judô sem kimono mas com a faixa na mão (essa foi muito foda)... Pra mim, a melhor invenção da informática foi quando o browser de Internet passou a completar a senha de sites automaticamente. Minha conta no Windows tem uma senha, que esqueço quase todo mês. Pelo menos aí tem solução, que é usar a conta admin e resetar a senha.
Também sou uma desgraça pra decorar aniversários. Sei que o meu é 15 de agosto, meu irmão é 30 de março... Acho que minha mãe faz entre 18 e 23 de janeiro, não tenho a menor idéia de quando meu pai faz aniversário, sei o aniversário do meu tio Alexandre porque eu nasci no mesmo dia do ano que ele. Fora isso, não sei nada. De ninguém. Mas também tenho umas datas largadas pelo meu cérebro, como 7 de agosto, algum dia entre 22 e 25 de maio...
Mesma coisa com endereços, números de telefone, senhas de cartão, nomes científicos e qualquer outra coisa que exija ser decorada.
---
BÔNUS
Já me perguntaram onde adquiri esse estilo irônico de escrita. Fui fortemente influenciado (e até inspirado, por assim dizer) pela série "O Mochileiro das Galáxias", a trilogia composta por "O Guia do Mochileiro das Galáxias", "O Restaurante no Fim do Universo", "A Vida, O Universo e Tudo Mais" e "Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes!", além do spin-off "Praticamente Inofensiva". Não, eu não contei errado. Essa é uma trilogia escrita por Douglas Adams.
Recomendo a todos que queiram ler uma série altamente nonsense, com humor irônico inteligentíssimo e muitas reflexões sobre a vida, o universo e tudo mais.
(E por que gente que presta morre cedo? Douglas Adams faleceu em 2001 só com 49 anos, ainda planejando lançar mais um livro da série iniciada em 1979...)
O post de hoje não é sobre informática, relaxem. A memória do título não é exatamente do computador, e sim a minha. Boa parte das pessoas sabe que, atualmente, 128MB de memória, m um computador, é uma quantidade ridícula que não serve nem pra usar o Word e entrar na Internet ao mesmo tempo. O que isso tem a ver comigo? Ah, bem...
Esta semana estive comentando com uns amigos sobre minha excepcional e infalível memória, e percebi que isso renderia um bom texto.
Comecemos: Dizem que nós, gênios, somos esquecidos e modestos. A primeira característica, no meu caso, se destaca muito mais que nos outros, infelizmente. Já me acostumei a viver 24h por dia com aquela sensação de "estou esquecendo alguma coisa", porque normalmente estou mesmo. E não pensem que isso é distração de adolescente, estresse de colégio, falta de tempo, nada disso. Isso vem desde os primórdios, mey. Veja só:
Luquinhas, com 6 anos, se preparando pra ir para a natação (esporte que odiava, odeia e sempre irá odiar, mas foi forçado a fazer por 14 anos). Roupão, ok. Touca, ok. Mochila pra pôr a roupa, ok. E ele vai. Sentado no banco do transporte, olha pra baixo e percebe que esqueceu de um detalhe, que talvez você tenha percebido. Aquela vestimenta de algodão branco com um desenho do Digimon definitivamente não parece uma sunga. Após uma inspeção mais detalhada, vê que de fato a peça de roupa é o que chamam de "cueca". O que fazer? Luquinhas, morrendo de vergonha, chega à academia e explica a situação pro professor, que ri e o deixa ficar sentado num banco esperando acabar a aula. Pelo menos estava passando Pokémon na TV.
Esse deve ser o caso de esquecimento mais antigo que consigo lembrar, mas provavelmente meus pais saibam de alguns ainda mais primitivos. Ainda bem que não lembro de tudo, pra falar a verdade, ou provavelmente seria ainda mais paranóico atualmente. Ou talvez fosse até melhor ser.
Luquinhas, agora com 8 anos, acaba de ter seu apartamento reformado, e uma das novidades é que agora seu quarto tem uma fechadura. Seus pais, aparentemente drogados, acham que o filho já é responsável o suficiente para poder ficar com a tal chave. Por que isso aconteceu, realmente nunca poderei explicar. O fato é que Luquinhas, logo na primeira noite com a chave, resolve se trancar para dormir, pois o dia seguinte seria um sábado e ele não queria ser acordado. Ele ainda assiste um pouco de desenho na TV e em seguida dorme.
Sábado, 9 horas da manhã. Nosso personagem principal acorda e puxa a maçaneta. Nada. Lembra que a porta está trancada e vai pegar a chave. Mas pegar aonde? Essa pergunta pergunta divide sua mente com "Nossa, o Ash pegou um Squirtle ontem de noite!", até Luquinhas perceber a gravidade da situação: ele está trancado no próprio quarto, uma representação de muito mal gosto daqueles joguinhos japoneses que você tem que arranjar um jeito de fugir de uma sala. Eu, particulamente, nunca consegui vencer nenhum desses jogos, então imagina na vida real. Pelo menos de fome não morreria, ainda tinha a lembrancinha de uma festa na escola, mas seu quarto não é uma suíte, e para chegar ao banheiro teria que derrubar a parede atrás do armário. Muito plausível para um moleque raquítico de 8 anos. Logo, sua última solução é o clássico "MAMÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃE! SOCORROOOOOOOOOO!", que traz resultados em segundos. Usando seus superpoderes de mãe, Carla logo se materializa em frente à porta trancada e avalia a situação.
A confusão chega a um novo nível. Como qualquer mulher em sã consciência que vê seu filho preso em um quarto morrendo de medo, começa a gritar com ele "CADÊ A CHAVE? ONDE VOCÊ PÔS?" calmamente desesperada, como se isso fosse adiantar algo. O pai do garoto acorda assustado e, com seu intelecto masculino superior, logo corre para o chaveiro no comércio da quadra.
Resumo da história: Luquinhas fica duas horas preso no próprio quarto, os pais gastam alguns dinheiros pra fazer uma cópia da fechadura, arrancá-la da porta recém-comprada e chamar um marceneiro pra consertar o estrago. Luquinhas, hoje com 16 anos, emo e com um blog depressivo, ainda não pode ficar com a chave do quarto.
Yay. Legal lembrar que o meu irmão hoje tem 8 anos e já tem até chave de casa pra emergências. Moleque maldito, sabe o nome, tipo, peso e altura de todos os 500 e tantos Pokémon mas não sabe se um tatu é réptil ou peixe. Vai ser nerd assim em cima de uma árvore.
O post está ficando bem grande, mas e daí? Não estou com muita vontade de parar.
Dois dias depois do incidente anterior, Luquinhas ainda tinha a chave das gavetas de sua escrivaninha. Cansado de perder o controle remoto de sua TV, resolve guardá-lo em uma gaveta e trancá-la para que não mais o perdesse. Controle de TV tinha que ser que nem telefone sem fio, se você perder é só apertar um botão na base que ele apita onde quer que esteja, seja no banheiro, debaixo da cama ou no quarto da empregada que aumenta a conta em 200 reais só de ligação pro Piauí.
Pois é, o garoto coloca o controle na gaveta de material da escola e a tranca. Ele não vê TV naquele dia, mas a noite chega e o dia seguinte será uma terça. Ele vai abrir a gaveta de material escolar pra pegar lápis de cor... e ela não abre. Após tirar da cabeça o pensamento de ela estar sendo segurada por um fantasma brincalhão, ele lembra da chave. Só lembra, porque achar mesmo, ele não acha. Cortando um pedaço da história (que envolvia a mãe dando uma bronca lendária no garoto e proibindo-o de usar o computador por um mês [e claro que ele o usou todos os dias que deu vontade], o pai dando um chilique pior ainda e proibindo-o de ver TV [que ele assistiu todos os dias que deu vontade], mais um chaveiro chamado no dia seguinte, um recado na agenda mandado pela professora dizendo que ele estava sem lápis de cor, etc etc etc), chegamos ao improvável desfecho: hoje, Luquinhas tem 16 anos, é emo, gostoso, tem um blog depressivo e não tem mais fechaduras no móvel do quarto, muito menos nos armários.
Outra coisa foi quando fui pagar algo que precisava levar o contrato de serviço, faz uns dois anos. Estava na porta de casa, lembrei que estava sem o contrato. Quase no elevador, voltei pra pegar o celular. Quase pisando fora de casa, agasalho. Chegando à loja (no comércio da quadra), tinha esquecido apenas o dinheiro.
Ah, e esses dias esqueci o celular na academia e ele evaporou. Era um Nokia 2610 de 2004, que tinha custado 90 reais. Tela totalmente arranhada, teclado com algumas teclas soltas, sem câmera, caía em ligações muito frequentemente e era bloqueado com um chip pré-pago da Vivo que vivia sem crédito. Imagino o tipo de pessoa que roubaria um celular desses. Engraçado que eu tinha escolhido um bem vagabundo especificamente porque sabia que um dia, inevitalmente, iria perder o maldito. Por isso nem me arrisco a comprar um iPhone ou qualquer modelo mais caro que 200 reais. (Ah, já tentei ligar infinitas vezes para o número, mas ele está sempre fora de área. Devem ter sido alienígenas)
Baseado nesses casos, tente calcular quantas vezes fui a festas de aniversário sem presente, cinema sem carteira de estudante, judô sem kimono mas com a faixa na mão (essa foi muito foda)... Pra mim, a melhor invenção da informática foi quando o browser de Internet passou a completar a senha de sites automaticamente. Minha conta no Windows tem uma senha, que esqueço quase todo mês. Pelo menos aí tem solução, que é usar a conta admin e resetar a senha.
Também sou uma desgraça pra decorar aniversários. Sei que o meu é 15 de agosto, meu irmão é 30 de março... Acho que minha mãe faz entre 18 e 23 de janeiro, não tenho a menor idéia de quando meu pai faz aniversário, sei o aniversário do meu tio Alexandre porque eu nasci no mesmo dia do ano que ele. Fora isso, não sei nada. De ninguém. Mas também tenho umas datas largadas pelo meu cérebro, como 7 de agosto, algum dia entre 22 e 25 de maio...
Mesma coisa com endereços, números de telefone, senhas de cartão, nomes científicos e qualquer outra coisa que exija ser decorada.
---
BÔNUS
Já me perguntaram onde adquiri esse estilo irônico de escrita. Fui fortemente influenciado (e até inspirado, por assim dizer) pela série "O Mochileiro das Galáxias", a trilogia composta por "O Guia do Mochileiro das Galáxias", "O Restaurante no Fim do Universo", "A Vida, O Universo e Tudo Mais" e "Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes!", além do spin-off "Praticamente Inofensiva". Não, eu não contei errado. Essa é uma trilogia escrita por Douglas Adams.
Recomendo a todos que queiram ler uma série altamente nonsense, com humor irônico inteligentíssimo e muitas reflexões sobre a vida, o universo e tudo mais.
(E por que gente que presta morre cedo? Douglas Adams faleceu em 2001 só com 49 anos, ainda planejando lançar mais um livro da série iniciada em 1979...)
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Voltay.
oie. Pra quem achava que eu tinha morrido... há. Azar. Eu não estava postando porque estava de mau humor, então não dava pra escrever, mas agora voltei ao normal.
Eu já tinha comentado com algumas pessoas: no fim das férias, não sabia se gostava ou não de voltar às aulas. As férias estavam chatas, todos os dias se repetiam: acordar meio dia, almoçar, jogar, dormir, jantar, entrar na internet, jogar até de madrugada e dormir. Sempre nisso. Por melhor que seja a folga, ficar sem fazer nada faz você parecer um inútil. Juro que nem lembrava por que odiava tanto as aulas. Tá, perder a manhã (mas veria meus amigos), ter que estudar em casa (tá, é isso que faço há anos) e todo o estresse de provas, mas não era suficiente. Até que, dia 3 de fevereiro, meu pai me acordou 5:50. Aí sim lembrei do que não gostava.
Pena que agora acabou aquela época de voltar às aulas, reencontrar os coleguinhas, ouvir que cresceu e está mais moreno, todo aquele espírito de novidade. Pode ter certeza que, quando entrei na sala, parecia que o 1º ano tinha acabado no dia anterior e tudo que eu tinha feito é mudado de sala. Ao menos no meu caso, não fiquei mais moreno (fui pra Ilhéus, mas nem peguei tanto sol), não cresci (tá. Isso não é novidade), não me senti com aquela empolgação de sempre, nada disso.
É, um dia você cresce e percebe que está fazendo a mesma coisa há anos. Os dias passam velozmente porque tudo se repete, e para uma melhor retenção de lembranças importantes, o cérebro faz questão de se livrar de coisas parecidas que foram indexadas. Ou seja, sua vida vai para o lixo. Não é mentira, isso é científico. Considere que você faz a mesma coisa desde os 4, 5, 6 anos de idade. Dá pra ver que mais de dois mil dias que você viveu não estão mais no seu cérebro.
Hmm... sem muita comédia hoje. Desculpa, mas umas coisas que andam acontecendo recentemente realmente me deixaram meio abalado. Digamos que um fantasma do passado veio me assombrar novamente, e tenho assuntos realmente importantes para [tentar] resolver.
Bem, té a próxima.
Eu já tinha comentado com algumas pessoas: no fim das férias, não sabia se gostava ou não de voltar às aulas. As férias estavam chatas, todos os dias se repetiam: acordar meio dia, almoçar, jogar, dormir, jantar, entrar na internet, jogar até de madrugada e dormir. Sempre nisso. Por melhor que seja a folga, ficar sem fazer nada faz você parecer um inútil. Juro que nem lembrava por que odiava tanto as aulas. Tá, perder a manhã (mas veria meus amigos), ter que estudar em casa (tá, é isso que faço há anos) e todo o estresse de provas, mas não era suficiente. Até que, dia 3 de fevereiro, meu pai me acordou 5:50. Aí sim lembrei do que não gostava.
Pena que agora acabou aquela época de voltar às aulas, reencontrar os coleguinhas, ouvir que cresceu e está mais moreno, todo aquele espírito de novidade. Pode ter certeza que, quando entrei na sala, parecia que o 1º ano tinha acabado no dia anterior e tudo que eu tinha feito é mudado de sala. Ao menos no meu caso, não fiquei mais moreno (fui pra Ilhéus, mas nem peguei tanto sol), não cresci (tá. Isso não é novidade), não me senti com aquela empolgação de sempre, nada disso.
É, um dia você cresce e percebe que está fazendo a mesma coisa há anos. Os dias passam velozmente porque tudo se repete, e para uma melhor retenção de lembranças importantes, o cérebro faz questão de se livrar de coisas parecidas que foram indexadas. Ou seja, sua vida vai para o lixo. Não é mentira, isso é científico. Considere que você faz a mesma coisa desde os 4, 5, 6 anos de idade. Dá pra ver que mais de dois mil dias que você viveu não estão mais no seu cérebro.
Hmm... sem muita comédia hoje. Desculpa, mas umas coisas que andam acontecendo recentemente realmente me deixaram meio abalado. Digamos que um fantasma do passado veio me assombrar novamente, e tenho assuntos realmente importantes para [tentar] resolver.
Bem, té a próxima.
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